O envolvimento das diáconas no apostolado da Igreja dos primeiros tempos é um facto indiscutível. As mulheres que ajudavam Paulo
Devido ao contexto sociológico da época, a Igreja primitiva não pôde, de imediato, tomar consciência do que havia de revolucionário no novo sacerdócio proposto por Cristo.
Paulo sabia que o batismo de Cristo tinha abolido, por princípio, a distinção entre escravos e homens livres (Gálatas 3, 28) e, num dos seus textos, conclui logicamente que os escravos deviam ser libertados (1 Coríntios 7, 21-24).
Contudo, o sistema social vigente levou-o a aceitar a escravatura como um mal necessário. Da mesma forma, as idéias do tempo impossibilitaram-no de compreender em todas as suas dimensões a igualdade de homens e mulheres em Cristo, igualdade em que ele, aliás, acreditava firmemente (Gálatas 3, 28).
Neste contexto, é extremamente significativo que já no tempo de Paulo as mulheres exercessem um ministério na Igreja.
- “Recomendo-vos a nossa irmã Febe, serva (diakonos) da Igreja de Cêncreas… Tem sido uma protetora para muitos e para mim pessoalmente” (Romanos 16, 1-2)
- A palavra diakonos aplicada a Febe não tem verdadeiramente o sentido da função ministerial precisa que terá mais tarde quando se aplicar às mulheres.
- “Saudai Prisca e Áquila, meus colaboradores em Jesus Cristo”…
- “Saudai Maria, que tanto se afadigou por vós”. Da mesma forma,
- “Saudai Trifena e Trifosa, que trabalham pelo Senhor.
- Saudai a minha querida Pérside, que tanto se afadigou pelo Senhor (Romanos 16 1-16). Paulo refere-se aqui a tarefas apostólicas.
- “Evódia e Síntique que lutaram comigo pelo Evangelho juntamente com Clemente e os meus restantes colaboradores” (Filipenses 4, 2-3). “Pelo Evangelho” indica, seguramente, uma participação na obra de evangelização.
- “Os apóstolos, entregando-se sem descanso à tarefa da evangelização, como convém ao seu ministério, têm consigo mulheres, não como esposas, mas como irmãs, para partilharem do seu ministério junto das mulheres que vivem em suas casas; pela acção delas, os ensinamentos do Senhor chegam aos aposentos das mulheres sem criar suspeitas”.
- Plínio, numa carta ao imperador (111 d.C.), diz que fez prender duas mulheres cristãs que ocupavam uma posição oficial. Eles a chamam “ancillae” (= “diakounous”),
Tecla que, segundo confessou ao juiz de Antioquia, tinha convertido Trifena e um grupo de mulheres: “Ela foi a casa de Trifena e esteve lá durante oito dias instruindo-a na Palavra de Deus, de tal forma que a maioria das suas servas acreditou”
REFERÊNCIA: “Trabalham no Senhor”. Operosas. O verbo grego dá a idéia de “afadigam”. Trabalhavam até o cansaço.
Não era um trabalho eventual. Mereceram um cumprimento respeitoso de Paulo. Com elas se menciona Pérside, que “trabalhou”.
Deveria ser mais idosa e elas, mais jovens. Juventude é um tempo excelente para trabalhar pelo evangelho.
A repetição de “trabalhar” dá a idéia de uma função. Deviam exercer funções na igreja.
Graças a Deus por tantos “leigos” e tantas mulheres que fazem a obra de Deus!
CONCLUSÃO :(1) O evangelho pode penetrar em todas as camadas sociais. Erramos quando o confinamos apenas aos pobres, porque eles nos ouvem. Ricos e nobres têm necessidades espirituais. E o evangelho tem a resposta para eles. E é indetível. Nunca devemos deixar de testemunhar ou nos recear pelo título ou pela posição social da pessoa. O evangelho tem poder (Rm 1.16).
(2) Trabalhar pelo evangelho não é só para homens. As mulheres têm valor e não podem se omitir. O evangelho lhes deve muito. Elas são o sustentáculo humano da igreja. O evangelho valoriza a mulher, e conta com o trabalho das mulheres.
(3) O trabalho para o Senhor não é algo a ser feito se sobrar tempo. Os chamados “leigos” precisam ganhar a vida fora da igreja, mas seu trabalho deve ser incessante, a ponto de se cansarem. Alguns vêem a igreja como lugar para ir e receber bênção e não como espaço para servir. O maior serviço a Cristo tem sido feito por chamados “leigos”.
(4) A igreja tem todo tipo de gente. Trifena e Trifosa eram nobres. Erasto era procurador da cidade (v. 23). Priscila e Áqüila (v. 3) faziam tendas. O pai de Rufo (v. 13) carregou a cruz à força (Mc 15.21). Era cireneu; de Cirene, África. Negros não passeavam na Palestina e Roma. Eram escravos. Nobres, oficiais civis, ex-escravos. Eis a igreja. Uma democracia. Ninguém é superior a ninguém. E todos podem e devem ser úteis, independentes de seu valor social.
Assim como as mulheres acompanharam Cristo no seu ministério (Lucas 8, 1-4), também mulheres participaram na criação das primeiras comunidades cristãs. Teriam elas tarefas específicas?
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